Intervenções de utilização
É de reflectir sobre a forma como utiliza o seu tempo para promover a cessação tabágica entre os doentes. Aconselhar brevemente os doentes a deixar de fumar apresenta custos de oportunidade (isto é, poderia utilizar esse tempo para abordar outros assuntos), podendo o aconselhamento ser contraproducente se tudo o que conseguir for irritar os doentes.
Embora seja importante levantar o tópico do tabagismo entre os doentes, é igualmente importante avaliar até que ponto os doentes estão motivados para o fazer após o aconselhamento. Vale a pena despender tempo com os que considera estarem altamente motivados para parar, incentivando-os a tomar as medidas adequadas para combater esse hábito (por exemplo, estabelecer uma data para deixar de fumar ou recrutar a ajuda de amigos/companheiros (as) para apoiar as tentativas de cessação.
Infelizmente não existem métodos objectivos para avaliar se um fumador está ou não motivado para parar, embora os seguintes pontos possam dar algumas indicações:
- tentativas anteriores de deixar de fumar;
- desejo de deixar de fumar; intenção de deixar de fumar no futuro;
- a sua própria impressão acerca de o doente estar ou não motivado para parar.
Os fumadores que tentaram deixar de fumar no passado, desejam parar agora ou têm a intenção de o deixar de fazer no futuro ou aparentam estar motivados para parar são mais susceptíveis de efectuar uma tentativa de cessação no futuro.
A maioria não está motivada para parar de fumar: embora 70% afirmem que querem parar, menos de 20% estão a planear uma tentativa imediata no mês seguinte. Consequentemente, a maioria é ambivalente. Podem sentir algum desconforto com o tabagismo, mas esse desconforto não é suficientemente forte para actuarem sobre ele.
O seu objectivo junto destes fumadores é incentivá-los a pensar de forma crítica acerca do seu hábito e ajudá-los a tomar a sua própria decisão de deixar de fumar. É importante estabelecer e manter a comunicação, já que sem ela é pouco provável que os possa ajudar. Deve tentar compreender de forma activa quais as suas razões para continuar a fumar ou para não conseguir parar.
Tente conseguir uma atmosfera em que os fumadores se sintam suficientemente confortáveis para verbalizar tanto os pensamentos positivos como os negativos acerca do tabagismo.
Depois de os pensamentos negativos terem sido expressos, deve reforçá-los. Não necessita de despender muito tempo: um breve comentário de resposta e um reforço da preocupação do doente são melhores do que um sermão acerca dos malefícios do tabaco.
Anote todas as questões importantes relativas aos hábitos tabágicos de um dado indivíduo (por exemplo, questões que tornam a cessação tabágica "impossível"), de forma a poder discuti-las mais tarde. Os doentes apreciam mensagens personalizadas contra o consumo de tabaco por parte de médicos que reconhecem as questões que afectam o seu comportamento.